Hoje a virtualidade nos enche de informações e parece que nos tira a nossa formação. Muitos são analfabetos na ampla acepção da palavra atualmente no Brasil, mas há muitos mais que são analfabetos funcionais, não sabem discernir pensamentos, ideias e sentido num texto. Talvez, isso seja um fenômeno mundial. Por exemplo, na época de Lewis Carroll, na Inglaterra, o livro Alice no País das Maravilhas, escrito por esse autor, era para crianças - e ainda é - mas é um texto altamente complexo e altamente bem realizado, havia um cuidado que não se pode resumir dizendo simplesmente que naqueles tempos, as crianças eram vistas como mini-adultos; não era só isso. Inclusive, Alice no País das Maravilhas é tema de livro do filósofo Gilles Deleuze no livro Lógica do Sentido. Quer dizer, muita coisa se perdeu. A cultura do visual, da imagem é muito forte e permeia tudo. Não devemos, na minha opinião, lutar contra a imagem, mas ressignificar essa imagem, porque toda imagem tem por trás um discurso, um texto. Desse modo, acredito que os tempos são outros e para acompanhar esse tempo é preciso conhecimento e atitude, até para "não viver nesse nosso tempo", como alguns dizem. Alguns intelectuais se sentem melhor "vivendo na Idade Média" e antes da Revolução Francesa. Não sei se é caminho - não concordo - mas é um opção de vida, frente a tantas misérias que a contemporaneidade nos traz.

 

Mauricio Duarte

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