Geografia & Estatística

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O VULCÃO DE SÃO GONÇALO
Assuéres Barbosa

Sábado, 13 de setembro de 1997. Um ônibus especial conduzindo crianças e adultos, sai pela manhã do páteo da prefeitura de São Gonçalo, a caminho de uma grande aventura. O grupo vai visitar um vulcão adormecido há 50 milhões de anos no Morro de Itaúna, escalando um morro de 300 metros acima do nível do mar, um terreno íngreme e muito perigoso, coberto de fonolitos, um tipo bem escuro de rocha vulcânica.
foto: Nilo Santos - saogoncaloturismo.com.

O INÍCIO
Tudo começou quando a turismóloga Marina Martins de Souza, o turismólogo Adilson Lima, a bióloga Vânia Ceia e esse jornalista, iniciaram uma pesquisa que dava conta da existência de um vulcão extinto no município. Estudiosos como o engenheiro Aluísio Belarmino de Mattos, geólogos, astrônomos, estudantes de geologia da Uerj e da UFF, estudantes da rede pública e particular, meu filho Fabrício Rodrigues da Silva, jornalista Cecília Vianna de Mattos e pessoas da comunidade integravam a comitiva.
Os quatro organizadores da excursão começaram a se interessar pelo assunto, quando em agosto de 1997, as sucessivas erupções dos vulcões Lê Soufriére, na Ilha de Montserrat, Popocatepel, no México, San Cristobal, na Nicarágua, e, o Kilauea, no Havai, ocorreram. Daí a excursão, com o apoio do professor Joaquim de Oliveira, secretário de Esporte e Lazer, ganhou forma.
Na subida do Maciço de Itauna, um encontro com dois moradores da região: uma grande jibóia e um chimpanzé adulto. Por todos os lados, circulavam animais como tatus, pacas, lagartos, alvoroçados pela presença de tanta gente desconhecida. Seguindo a trilha, após os ônibus estacionarem, em direção ao topo, muitos se perguntavam" e se o vulcão resolve despertar nesse instante?". Havia um quê de mistério e emoção...
Os primeiros excursionistas a atingirem o Maciço, foram o engenheiro Aluísio Belarmino de Mattos, na época com 76 anos de idade, a menina Beatriz, com cinco anos e o garoto Davi, de nove anos. Todos trataram de reunir os fonolitos como lembrança do acontecimento, enquanto apreciavam a paisagem, realmente espetacular.

AGITAÇÃO
Na epoca, o fato despertou enorme celeuma. Não faltaram os descrentes. Artigos prós e contras e declarações agitaram a cidade. O vulcão virou notícia em jornal, rádio e televisão. São Gonçalo estava nas manchetes. Marina, Adilson, Vânia e eu, nos sentimos recompensados. A aventura foi classificada por muitos, como "uma maneira de se resgatar a auto-estima dos gonçalenses. De se reviver a história, enriquecendo-se o acervo da cidade".

Depoimentos
O professor doutor André Luiz Ferrari, do Departamento de Geologia da Universidade Federal Fluminense (UFF)   publicou estudos dizendo que "a história geológica da região se inicia com a formação de rochas gnáissicas que constituem todos os morros baixos em torno do Maciço de Itaúna. Medições radiométricas indicam que elas se formaram há, aproximadamente, 60 milhões de anos".
No seu relatório, o professor diz, ainda, que "a atividade vulcânica começou há 68 milhões de anos com a formação dos sienitos (rocha clara grosseira) e continuou há 60 milhões de anos com a formação dos fonolitos, terminando há 50 milhões com a formação dos microsienitos (grãos finos) existentes na subida do percurso".
Alunos do curso em pós-graduação da UFF, ao estudarem o vulcão, chegaram a conclusão de que ele deveria ter medido o triplo quando ativo., opinião seguida pela vulcanólogo Vitor Klein, do Departamento de Geologia e Paleontologia da UFRJ, que já havia comprovado, anteriormente, a existência de um vulcão extinto no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Vitor chegou a visitar Itaúna.
Os boatos da existência de um vulcão em São Gonçalo, começaram em 1967, quando o bairro Trindade foi alvo de sucessivos abalos sísmicos de pequena intensidade. Os sinais davam conta de uma possível atividade vukânica na região.

HOJE
Decorridos 14 anos, já falecidos o engenheiro Aluísio Belarmino de Mattos e o turismólogo Adilson Lima, personagens de destaque do acontecimento, Marina, Vânia e Assuéres só lamentam não ter sido realizado pelas autoridades municipais, um trabalho de profundidade em torno do assunto. O turismo local poderia ter sido incrementado. Atualmente, o Maciço de Itaúna é utilizado por desportistas de parapente, um esporte radical de saltos livres. A menina Beatriz, hoje, com 18 anos, é bailarina da Escola de Dança Maria Olenewa, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Mas, quem viveu a aventura, garante que "todos que integraram a excursão ao vulcão, sentem até hoje a mesma emoção da época. É muito difícil esquecer"...

N.R. Publiquei essa matéria, quando trabalhava no Jornal O SÃO GONÇALO. Depois, ela foi republicada no Nosso Jornal de Notícias e, agora, aí está em meu blog, para se preservar um acontecimento digno de registro.
 
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