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1- A LOJA MAÇÔNICA DISTINTA

 

Gostaríamos neste momento de acrescentar a importância histórica de São Gonçalo, que teve o privilégio, também, de ter criado a primeira Loja Maçônica da antiga Província do Rio de Janeiro, ao que se sabe criada e instalada nos idos de 1812, (na época vinculada à Corte, subordinação da qual se viu livre em 1835, com Niterói tornando-se sua capital). A primeira Loja Maçônica tinha o nome de Loja Distinta, que possuía liturgia própria e seu propósito era iminentemente republicano. A mais concreta manifestação de presença maçônica em São Gonçalo, no principio do Século XX, ainda hoje está presente no Casarão de Pachecos, construído pelo farmacêutico Augusto Cezário Diaz André na primeira década de 1900 e por ele transformada em hospital durante a epidemia da gripe espanhola em 1º de novembro de 1918. Suas paredes ostentam símbolos diversos da maçonaria, de quem ele foi também um dos seus maiores entusiastas e Grão-Mestre desta Sacrossanta Instituição. E segundo seus historiadores gonçalenses, um dos locais para as realizações das sessões litúrgicas era a Fazenda Engenho Novo, residência de Belarmino Ricardo Siqueira, o Barão de São Gonçalo. Como se observa, a Loja Maçônica Distinta antecedeu as Lojas: Comércio e Artes, União e Tranqüilidade e a Esperança. A partir de hoje, convocamos a todas as potencias regulares da Maçonaria Fluminense que se unam em um elo só para a celebração dos 200 anos históricos da Maçonaria desta cidade, e desde já, convoco a todos os maçons, historiadores, professores, estudantes e a todos os munícipes que busquem maiores detalhes e informações sobre a história da Loja Distinta para que possamos celebrar juntos juntos a importância de tão grandiosa e significativa data dos festejos dos seus 200 anos”.

 

 

ANTONIO CARLOS RIBEIRO DE ANDRADA MACHADO E SILVA

 

A data de nascimento, que lhe atribuem os biógrafos, é exatamente a que consta do livro paroquial destinado ao registro dos batismos.

Em Santos, na mesma cidade em que nasceu, recebeu a instrução primária, ministrada pelo progenitor. O ensino secundário esteve a cargo de frei Manoel da Ressurreição, bispo de S. Paulo, que mantinha um curso gratuito destinado aos meninos aproveitáveis na carreira eclesiástica. Concluídos os estudos preparatórios, seguiu para Coimbra, em cuja universidade se bacharelou em Direito e Filosofia.

Enquanto esteve em Portugal, traduziu obras inglesas indicadas na bibliografia, das quais possuo três raríssimas, sendo que uma procedente da biblioteca de Eduardo Prado, com o ex-libris do escritor paulista.

Raros são os atestados da sua produção poética, nem como poeta é considerado pelos que lhe estudaram a obra. Distinguia-se, porém, como orador parlamentar, segundo provam as qualidades reveladas por seus discursos proferidos nas Cortes Gerais de Lisboa e nas Assembléias Gerais do Brasil.

Dos três irmãos era o mais espontâneo e vibrante como orador. Falava sempre de improviso, com eloqüência e boa dicção. Sua capacidade oratória constituía o traço característico de seu valor intelectual. Além dos predicados de elocução fluente e de viva inspiração, era dotado de erudição, impetuosidade nas réplicas e de gesticulação adequada às ênfases e aos arroubos revelados na tribuna.

Permaneceu na metrópole até meados do ano de 1800. Por decreto de 30-9-1800 foi nomeado escrivão da Ouvidoria de S. Paulo e auditor geral das tropas da capitania, com o posto e soldo de sar-gento-mor.

A magistratura não lhe foi propícia, por incompatibilidade de temperamento, como demonstrou no exercício da auditoria militar, como juiz de fora de Santos e, principalmente, na ouvidoria civil e criminal de Olinda. Manifestava-se exaltado em externar opiniões, de gênio impulsivo, de espírito combativo e de caráter violento.

Desempenhou o lugar de juiz de fora em Santos, durante um triénio (1806-1809), acumulando o exercício das funções com as dos cargos ocupados em S. Paulo, em luta acesa com o governador Franca e Horta, que o perseguiu tenaz e porfiadamente, estendendo o ódio aos dois irmãos, com especialidade a Martim Francisco, como ele considerado pernicioso à ordem pública.

O conflito intensificou-se, a partir de 1806, até que, em 1811, Antonio Carlos alcançou significativa vitória moral sobre o seu adversário, sendo nomeado pela corte ouvidor da comarca de S. Paulo.

Imputaram-lhe, porém, a responsabilidade principal, como mandante, na prática de um crime de homicídio, perpetrado a desoras e nas trevas. Essa perseguição levou-o a refugiar-se em S. Gonçalo, na Praia Grande de Niterói, onde fundou uma loja maçónica, denominada "Distintiva", com o fim de exercer a propaganda revolucionária de idéias republicanas, com a companhia de José Mariano Cavalcanti de Albuquerque. Aí foi preso, para ser processado.

Após longas penas na prisão, reconheceram a sua inocência e deram-lhe as compensações do hábito da Ordem de Cristo e da nomeação como primeiro ouvidor da comarca de Olinda, em Pernambuco.

Um ano depois do exercício do cargo, em 1816, incompatibili-zou-se com o juiz de fora de Recife; no ano seguinte, aceitou, como fato consumado, a nova situação política de Pernambuco, entenden-do-se com o governo revolucionário  e permitindo a inclusão do seu nome no Conselho de Notáveis, em companhia de Antonio de Morais e Silva, que não chegou a fazer parte do Conselho; (8> de Bernardo

Luís Ferreira Portugal, deão da Sé, de José Pereira Caldas e do negociante Gervásio Pires Ferreira.

Assim não pensam Dias Martins e Mario Melo, que lhe atribuem comparticipação direta no movimento revolucionário, na qualidade de membro da maçonaria, a cuja influência emprestam a tentativa de independência.

(8) Segundo Maximiliano Lopes Machado {"Introdução à História da Revolução de Pernambuco, em 1817") e segundo as próprias declarações, Morais não chegou a assumir as funções de conselheiro. Mas Alipio Bandeira ("O Brasil heróico em 1817"), Muniz Tavares ("História da revolução") e os depoimentos de Antonio Carlos, Gervasio Pires e Suassuna afirmam que ele assistiu às sessões do Conselho e respondeu às consultas em matéria de justiça e legislação.

Da mesma opinião é Tonellarc, nas "Notas dominicais" que sobre ele externa com os seguintes conceitos:

"Todos ali (refere-se ao governo revolucionário) cedem perante o antigo ouvidor de Olinda, o Sn. Antonio Carlos, hoje conselheiro de Estado. Eis um personagem que alia a um espírito vasto, uma concepção viva, uma dialética sutil e persuasiva, um caráter firme e uma vontade determinada. Se o Sr. Antonio Carlos fosse militar, seria homem a assenhorear-se de todos os poderes da República. Tal qual é, a sua habilidade é ainda assaz grande para fazer sombra aos seus colegas; mas estes o respeitam, apreciando a sua utilidade. Ninguém justifica melhor do que ele uma providência ou uma opinião."

Assim se manifesta quem presenciou o movimento revolucionário de Pernambuco e conheceu de perto o tribuno brasileiro.

Antonio Carlos foi punido severamente pelo seu crime político. Preso, embarcou no brigue Mercúrio, com destino à Bahia, escoltado por numerosa força militar, com pesada corrente atada ao pescoço. A bordo, meteram-no em gargalheiras e grilhões, preso no porão com sentinela à vista, tendo alimentos salgados e uma medida de água por dia, sem poder dormir. Na Bahia sofreu outros vexames, juntamente com o companheiro de infortúnio, encarcerados nas enxovias infectas da cadeia pública, durante quase dois anos de martírios e suplícios.

Do ergástulo passou Antonio Carlos à tribuna parlamentar, como representante de S. Paulo perante as cortes portuguesas, confirmando mais uma vez as peripécias da carreira política, cheia de altos e baixos, de máximos e mínimos, na curva representativa de sua evolução. Lá se apresentou ardente e orgulhoso, impávido perante o julgamento dos seus contemporâneos e dos seus pares.

Alcançara o indulto por intervenção do irmão José Bonifácio, cuja influência perante o monarca e o seu poderoso ministro Tomás Antonio era comprovada por várias honras a ele tributadas. Mas recusara impetrar a graça real.

Verificou-se a sua estréia discutindo o projeto de lei que concedia às juntas governativas o direito de suspender os magistrados, a propósito da organização do poder judiciário. Assomou :i tribuna, sucedendo a Villela Barbosa, para medir forças com Borges Carneiro, o mais morigerado dos regeneradores lusitanos, que menos agressivo se revelava em relação aos deputados da colônia.

A intervenção de Antonio Carlos no debate ateou fogo à fogueira, excitando o ânimo da representação brasileira. Basta ler-se o trecho com que terminou o seu primeiro discurso:

"A respeito de se dizer que os povos, apesar de gozarem os mesmos direitos, não hão de ter todos as mesmas comodidades, digo que se isto fosse, a nossa união não duraria um mês. Os povos do Brasil são tão portugueses como os povos de Portugal e por isso hão de ter iguais direitos. Enquanto a força dura, dura a obrigação de obedecer.

A força de Portugal há de durar muito pouco, c cada dia há de ser menor, uma vez que se não adotem medidas profícuas e os brasileiros não tenham iguais comodidades."

Logo após, nas seções subseqüentes, entrechocavam-se as atitudes da maioria e dos mandatários de S. Paulo. Os portugueses pretendiam confundir o Brasil com outras colônias asiáticas e africanas, ao passo que os paulistas pautavam os seus atos segundo as instruções recebidas de José Bonifácio, isto é, do governo da província de S. Paulo.

Daí por diante, com curtos interregnos, durante os quais se harmonizavam os deputados dalém e daquém-mar, agitaram-se aa idéias opostas e fomentaram-se os dissídios, entretidos pela impetuosidade da eloqüência de Antonio Carlos.

Surgiu em seguida o plano de reconduzir o Brasil ao regime colonial, cassando-se-lhe as prerrogativas de reino e pretendendo-se o regresso do príncipe D. Pedro a Portugal. O ofício do governo paulista, em termos enérgicos e desabridos agitou ânimos e modificou a tensão da atmosfera no ambiente. As sessões tornaram-se tumultuarias e o público das galerias invectivava e vaiava a representação brasileira, a ponto de predispor Antonio Carlos a abandonar o mandato, ofendido pela insolência e injúrias dos espectadores.

E como se houvesse o intuito recôndito de ainda mais acentuar as divergências, deliberou a maioria que se apresentasse um projeto de adições e alterações à Constituição portuguesa, para que a lei básica pudesse fazer a felicidade dos povos de ambos os hemisférios.

Da comissão especial, constituída somente de deputados brasileiros, faziam parte Antonio Carlos, Lino Coutinho, Fernandes Pinheiro, Villela Barbosa e Araujo Lima.

O projeto por ela apresentado obedecia às instruções fornecidas aos deputados paulistas, aceitas pelo vice-presidente de Minas e pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Irritaram-se em extremo as opiniões, até que alguns deputados resolveram abandonar o recinto e, em seguida, retirar-se de Lisboa, seguindo para Falmouth, para não assinar nem jurar o novo pacto fundamental.

Antonio Carlos representou o papel de legítimo líder da representação brasileira.

Na Inglaterra foram redigidos um protesto e uma declaração, ambos publicados no "Correio Brasiliense", de Hippolyto da Costa.

A 17 de abril de 1823 instalou-se a Assembléia Geral Constituinte e Legislativa, de que fazia parte Antonio Carlos, o autor do primeiro voto de graças em resposta à fala imperial. Foi eleito para a comissão de constituição, da qual foi presidente.

Verificou-se o incidente David Pamplona, um farmacêutico ou boticário, como se dizia na época, a quem atribuíram a autoria de um artigo em "A Sentinela da Liberdade", sob o pseudônimo de "Brasileiro resoluto". Pamplona foi agredido covardemente por um grupo de oficiais portugueses armados. 0 incidente foi levado à Assembléia, onde Antonio Carlos verberou a atitude governamental, em termos ásperos e veementes. A peroração do seu discurso deu ensejo ao delírio da multidão e a uma crise ministerial. Houve concentração de tropas e a Assembléia declarou-se em sessão permanente, até que fossem punidos os ofensores do brio nacional, repa-rando-se o ultraje e lavando-se a afronta que tisnara o pudor de um povo livre. Estabeleceu-se o conflito e, após a noite das agonias, o ministro Villela Barbosa compareceu perante a Assembléia, para lhe comunicar a exigência da oficialidade da guarnição militar: a expulsão dos Andradas da Assembléia e a suspensão da liberdade da imprensa. Como respeito à Constituição, resolveu dissolver a Constituinte, para prender os três Andradas e ocupar militarmente a redação e a tipografia de "0 Tamoio".

Dias depois embarcaram na charrua "Lucônia" os três Andradas, em companhia de Montezuma, José Joaquim da Rocha e padre Belchior Pinheiro, com destino à França.

De volta do exílio, foram Antonio Carlos e Martim Francisco submetidos a processo por crime de sedição, sendo recolhidos a uma prisão da Ilha das Cobras, onde permaneceram dois meses, até a absolvição pelo tribunal competente.

Após o ato de abdicação, volveu Antonio Carlos ao parlamento, tomando parte saliente em vários debates, inclusive na campanha da maioridade.

Foi o ministro do Império do primeiro ministério de D. Pedro II. Deixou a pasta e, sendo dissolvida a Câmara dos Deputados, foi eleito para a Assembléia Provincial de São Paulo, na legislatura de 1842-43, mais tarde para a Câmara dos Deputados Gerais (legislatura 1845-47), sendo eleito senador por Pernambuco e deputado provincial de S. Paulo (7.a legislatura: 1846-47). Faleceu,porém, a 5 de dezembro de 1845, pouco depois de haver sido escolhido na lista tríplice para o Senado, e não chegou a tomar posse na Assembléia Paulista.

Vitimou-o uma congestão cerebral, na cidade do Rio de Janeiro, sendo sepultado no Mosteiro de S. Bento. Mas, segundo afirma Alberto Souza, não surtiram efeito as diligências da Prefeitura Municipal de Santos, para encontrar o local onde jazem os seus restos mortais. Pretendia-se remover-lhe os ossos para o Panteão dos Andradas.

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