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São Gonçalo Antigo

 

A fazenda Colubandê embora abandonada e esquecida pelo poder público, serviu de inspiração para mestres como Lucio Costa, Vilanova Artigas, Oscar Niemeyer e Paulo Santos. Suposição esta fundamentada tanto no estilo dos painéis de azulejos que guarnecem sua capela, quanto na referência feita por Monsenhor Pizarro e Araújo, nas suas “Memórias Históricas sobre o Rio de Janeiro”.

 

Certa vez Lucio Costa comparou o palácio da Alvorada a uma casa de fazenda colonial, com sua varanda, colunas, e capela lateral. A semelhança com a fazenda Columbandê, por exemplo, é certamente surpreendente, e uma tal articulação entre a arquitetura moderna e o passado colonial do Brasil tende a confirmar a teoria de que a arquitetura moderna brasileira possui uma relação particular com a história, valorizando o novo, por um lado, e produzindo um discurso de permanência, por outro. Só quando se leva em consideração o quanto eram complexas as atividades da casa-grande típica de uma fazenda no Brasil patriarcal é que se compreende por que esse tipo de arquitetura não morreu inteiramente com a velha ordem social, tornando-se, pelo contrário, valiosa inspiração para modernos e arrojados tipos de construção que, na América Portuguesa, constitui uma arte, assim como uma ciência; e que já se tornou conhecida pela sua praticabilidade, funcionalidade e efetividade, e não somente pelos seus brilhos estéticos, como em Brasília: nos palácios de Brasília, alguns dos quais, contra a melhor tradição brasileira da arte – ciência de construir – mais esculturais que funcionais. 343

 

 

Ilustração de um croqui reiterando a analogia entre o Palácio da Alvorada e a Fazenda Columbandê, ilustrando-a com um croqui desenhado por Paulo Santos.


Essa analogia entre o Palácio da Alvorada e a casa-grande de fazenda já fora apresentada por Lucio Costa no artigo Monumentalidade e Gente, de 1960 para ressaltar que “graças a Oscar Niemeyer, a construção de um simples edifício – o Alvorada – casa-grande, com varanda corrida e capela anexa, tomou conta do lugar e marcou, de saída, o tônus: cidade moderna, voltada para o futuro, mas com raízes na tradição”.

 

 


 

Fontes:
A arqueologia da modernidade de Lucio Costa no Seminário Internacional "Um século de Lucio Costa", organizado no centenário do nascimento de Lucio Costa, numa parceria entre a PUC-Rio, a UERJ e a Casa de Lucio Costa, de 13 a 17 de maio de 2002, no auditório Gilberto Freyre do Palácio Gustavo Capanema (SANTOS, P., 1988, p.66).

http://www2.dbd.puc-rio.br/…/tesesabe…/0016012_05_cap_05.pdf

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