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FAZENDA QUINTANILHA

A fazenda de Quintanilha está localizada na mais histórica região deste município, lugar onde esteve o desbravador Gonçalo Gonçalves, que construiu, ali perto, a primeira capela da sesmaria – às margens do rio Guaxindiba. De frente para o mar e para a desembocadura do rio histórico, a “Casa Grande” da Fazenda ainda guarda muito do passado, com as suas linhas coloniais, seu aspecto e seus porões de escravos. Parte integrante da região de Itaúna e Praia da Luz, a Fazenda de Quintanilha é uma relíquia valiosa para a história de São Gonçalo e para o seu atual proprietário – Domingos José Ferreira – que procura manter as mesmas características da Fazenda há mais de 50 anos. Aquelas terras pertenceram a um dos irmãos Carrão, que eram donos de Monte Raso e Codeço.

PEDRA NEGRA

Por aquela região, além de Gonçalo Gonçalves, que dedicou à primeira capela, às margens do rio Guaxindiba, na região de Codeço, onde há uns 50 anos - (1923) - ainda existiam vestígios, conforme acentuou um negro escravo, já falecido, para o Sr. Domingos Ferreira, andaram os missionários e os índios. Toda a área se chamava Itaúna, que na linguagem tupi quer dizer “pedra negra”. Os primitivos habitantes foram catequizados pelos jesuítas e ali formaram o primeiro povoamento. Em Itaóca, que quer dizer em tupi, “caverna”, “furna”, os colonizadores de Itaúna levaram as suas mercadorias para serem transportadas para o Porto do Rio. Mais tarde, os colonos de Quintanilha, Monte Raso e Codeço já transportavam os produtos agrícolas através de grandes barcos que passavam pelo rio Guaxindiba, entrando na Baía. Até hoje, a maior parte daquelas terras são cultivadas.

VESTÍGIOS DA CAPELA

Ainda é o Sr. Domingos que conta sobre “uma ruína de capela”, que chegou a ver de perto, nas terras da Fazenda Codeço, há uns 50 anos (1923), mais ou menos. Também o negro Gustavo lhe afirmou ter visto as paredes da primeira capela, construída por Gonçalo Gonçalves, não há em toda a região, nenhuma capela antiga, além da existente na Praia da Luz, o que nos leva a crer, mais uma vez, que a primeira tenha sido realmente aquela que o desbravador edificou as margens do rio Guaxindiba.

CEMITÉRIO

Entre Quintanilha e Monte Raso existe um morro, próximo ao rio Guaxindiba, onde foram enterrados índios, depois os negros escravos. “É o morro do cemitério que não da nenhuma plantação”. O Sr Domingos Ferreira explica, ainda, que já foram feitas tentativas para o aproveitamento daquela área, “mas que não há jeito de nascer nada ali”. Hoje, pode ser considerado o morro dos urubus, pois as aves, em grande quantidade, não saem daquele local. O escravo Gustavo, que nos seus últimos anos de vida contou muitas histórias do lugar ao Sr. Domingos Ferreira, falou das diversas tentativas do dono da Fazenda de Monte Raso em plantar naquele terreno, sem conseguir. “porque os urubus se alimentavam das sementes”.

IRMÃOS CARRÃO

A casa da Fazenda de Quintanilha remonta de 1763, aproximadamente, e em 1838, segundo uma inscrição, foi construído um grande galpão bem próximo dela, para as mercadorias vindas da lavoura localizada na parte leste daquelas terras, que foram cultivadas posteriormente. Os irmãos Carrão eram três ou quatro. Joaquim era o dono da Fazenda de Monte Raso, e o negro Gustavo confidenciou ao velho Domingos que ele maltratava muitos os escravos, sendo preciso a gente ir pedir clemência ao dono da Fazenda de Quintanilha. Antonio Carrão, homem de muita bondade. O terceiro irmão era o proprietário da Fazenda do Codeço, interligada às outras duas. Na “casa grande” de Quintanilha há vestígios nos porões, das peças que completavam a mancha negra da escravatura: são enormes gradis que prendiam os negros para o castigo.

LINHAS COLONIAIS

As linhas coloniais da casa da fazenda são evidentes. A construção demonstra, também, o poderio econômico dos primeiros povoadores. Os cômodos são amplos e o (matril) é todo de pinho de Riga. As paredes não são revestidas, como ocorre na casa da Fazenda de Monte Raso, a opulência da época. O Sr. Domingos José ferreira, que está a cinqüenta anos na Fazenda, morando com a sua esposa Brasilina de Barros Ferreira, ambos portugueses. “Nós gostamos muito daqui, pois o lugar tem lembranças dos nossos primeiros irmãos patrícios que aqui chegaram. Aqui também criamos os nossos quatro filhos, construindo uma família de brasileiros”.

 

 

Reedição da matéria do jornal O Fluminense de 1973.

Colaboração de informações: Henry Silva e Carlos Ferreira.

Fonte: <Hemeroteca Digital PR_SPR_00038> Acessado em 22/12/2015. Caderno Especial de O FLUMINENSE em 22 de setembro de 1973.

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