Rujany Martins

Não pretendo aqui, fazer história. Historiadores, São Gonçalo os tem e teve reconhecidos nos trabalhos atuais do jornalista e pesquisador Jorge Nunes (crônicas Históricas Gonçalenses I e II) e nos relatos dos professores Salvador da Matta e Silva e Evadir Molina. Fontes habituais de pesquisas sobre os eventos históricos do município são também os trabalhos de Emanuel de Bragança de Macedo Soares e os antigos escritos do Monsenhor Pizarro. Neles busco conhecer os fatos e feitos dos homens e mulheres que produziram a história da cidade onde nasci e sempre vivi. E nunca me atrevi a tentar seguir-lhes os passos, até porque, pesquisar nunca foi meu forte.
Mas vendo e ouvindo, e principalmente, vivendo os últimos 70 anos do cotidiano desta cidade, pude ser testemunha – e às vezes protagonista de episódios que marcaram a vida de São Gonçalo.
O que vou relatar é um desses episódios.


Conta Jorge Nunes no seu excelente “Crônicas Históricas Gonçalenses I, que “em 1644 ou seja, apenas 65 anos após a chegada de Gonçalo Gonçalves, tal era o desenvolvimento que o referido sesmeiro deu à área recebida, que o rei Dom João IV, de Portugal, determinou fosse erguida a paróquia de Gonçalo de Amarante. E que 10 de fevereiro de 1646 a capela foi elevada a freguesia por ato do prelado Maris Loureiro.
Assim, três séculos depois, o então pároco Godofredo Barenco Coelho convocou autoridades do município e todos os fiéis católicos para festejar condignamente o tricentenário da Paróquia de São Gonçalo. Devidamente aprovado pelo Bispo da Diocese de Niterói, foi programado um Congresso Eucarístico Internacional para o ano de 1947 e decidiu-se erguer um monumento comemorativo. Por proposta do padre Barenco, programou-se a construção do CRUZEIRO, no alto da Pedra da Coruja, na colina situada atrás da Igreja Matriz, dominando toda a paisagem do centro da Vila de São Gonçalo.
Através de doações, o comércio e a indústria forneceram o material necessário. Afinal cimento não era problema na terra da Fábrica Mauá. Nem areia, pedra britada e umas poucas varas de vergalhões cedidas pela Metalúrgica Hime.
A mão de obra, a prefeitura ofereceu. Faltava resolver como fazer chegar aquele material lá em cima do morro íngreme (e então totalmente desabitado).
Tal problema foi resolvido pela grande mestra Dona Estefânia de Carvalho que, inspirada no exemplo das formigas contado nas fábulas de La Fontaine, propôs que todo aquele material fosse levado pelos alunos do Colégio São Gonçalo ( que ficava ao lado da Igreja ao pé do morro). Padre Barenco gostou da idéia e a prefeitura mandou abrir uma trilha no morro, começando nos fundos da Casa Paroquial e lavando até a Pedra da Coruja.
Empacotados em saquinhos de compras dos armazéns (na época não havia supermercados) areia lavada, brita e cimento viraram pequenos volumes de no máximo cinco quilos que qualquer garoto ou menina poderia carregar até o alto do morro e depositá-los no lado da pedra onde os operários construiriam o monumento.
E foi assim, num grande mutirão, que a garotada convocada por dona Estefânia e Padre Barenco subiu o morro como um verdadeiro formigueiro em marcha, levando o material para construir o CRUZEIRO, inaugurado juntamente com o Congresso Eucarístico Internacional, que aconteceu no campo do Tamoio, para comemorar o Tricentenário da Fundação da Paróquia de São Gonçalo de Amarante.
Que me perdoem os historiadores e cronistas da vida Gonçalense. Mas essa, eu não li em lugar nenhum, nem ouvi de ninguém. EU ESTAVA LÁ.
Com 12 anos, eu era uma das formiguinhas…..

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