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Sociedade de Artes e Letras de São Gonçalo: o tempero da Cultura

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por "São Gonçalo Antigo"

 

A Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim foi criada em 25 de setembro de 1984, pelo Decreto Federal nº 90.225, atendendo, na época, ao pleito de universidades, movimentos ambientalistas e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC, tornando-se a primeira unidade de conservação específica de manguezais. A APA de Guapimirim engloba os manguezais da porção oriental da baía de Guanabara, nos municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo. Com uma área aproximada de 14.000 ha, tem como limites: ao Norte, a rodovia BR-493 e a área urbana do município de Magé; ao Sul, a serra de Itaúna e ilha de Itaoca; a Leste, a rodovia BR-493 e o ramal ferroviário Itambi-Campos e; a Oeste, a baía de Guanabara. Além de manguezais, a APA de Guapimirim compreende regiões ocupadas por atividades agrícolas e zonas urbanas, que são compostas por pequenos núcleos de pescadores, agricultores e população de baixa renda, que respondem por alguns dos principais entraves à adequada gestão da APA: aterros, invasões, vazadouros de lixo, desmatamentos, queimadas e despejo de esgoto. Soma-se a isto, a grande poluição gerada pelo pólo industrial instalado na bacia da baía de Guanabara, caracterizada principalmente por derrames de óleo.

Quando inicia-se uma pesquisa sobre a história da formação do município de São Gonçalo, nota-se que são poucos os estudos mais aprofundados sobre algumas de suas regiões, principalmente do leste da baía de Guanabara. Os poucos que se interessam se deparam com muitas informações difusas, controversas e dificuldades no seu acesso. Sendo freqüente a consulta de fontes primárias para uma informação mais precisa. Mesmo com fontes primárias é comum acontecer de se obter informações conflituosas, quando fontes diferentes são consultadas e analisadas sobre um mesmo assunto. Ao iniciar um relato sobre a história de um lugar ou grupo social na América, inegavelmente existe uma tendência de sempre começar a reflexão da localidade, país e até mesmo do continente a partir do grande marco que foi a posse forçada dessas terras pelos europeus: tanto o chamado descobrimento da América como o denominado descobrimento do Brasil. Tem-se a sensação de que a história começa, unicamente, neste momento tanto que os fatos anteriores a 1500 são denominados de a pré-história brasileira. O problema maior não é da denominação de pré-história, mas o que isto carrega em si dando a sensação de que os fatos anteriores à sua história são de menor importância, mesmo sendo estes os que mantiveram vivas as populações autóctones que habitavam este continente desde muitos anos atrás. Portanto, a história de São Gonçalo a partir da sua pré-história por assim dizer. Ou seja, a partir do que já existia antes de existir São Gonçalo e que em muitos momentos é cortado, como se não importasse ou tivesse sido invisível ou nunca existido. Talvez, não seja muito difícil imaginar como deveria ser a paisagem desta região antes da grande transformação pela qual passou impulsionada pelos europeus que aqui chegaram.

Muitos relatos de viajantes descrevem as margens da baía de Guanabara como possuidora de vegetação exuberante de mangues em suas várias gamboas e enseadas, muitos charcos, rios caudalosos e colinas cobertas por densa mata tropical úmida litorânea abrigando diversas espécies animais e vegetais. Todo e qualquer tipo de ocupação humana provoca alguma forma de mudança na paisagem. Mas, nem se comparam as alterações ocorridas durante a ocupação do continente pelas tribos autóctones e as alterações ocorridas após a chegada dos europeus. Mesmo que os nativos da América modificassem o meio em prol de sua sobrevivência. Essas mudanças ocorriam lentamente e foi assim durante milhares de anos até que os europeus mudaram rapidamente quase toda a paisagem de uma forma brusca e veloz, principalmente, a do litoral de toda a América.

A narrativa tirada de algumas anotações encontrados em livros dos colonizadores e corsários, que podem representar um bom exemplo da paisagem encontrada pelo europeu e da sua transformação: "O Guajindibo é um riacho que serpeia, um gracioso leito de areia, entre densas matarias. Os campos prometiam bom pasto aos nossos animais e os bosques estavam cheios de pássaros, o que nos levou a escolher esse ponto. Pelo amanhecer, quando nos dispersamos para caçar, corri à margem do rio, bordado por vicejantes e admiráveis mimosas. Esta planta é muito comum nas matas desta região, como em quase todas as regiões tropicais. Dentro em breve descobri pássaros dos mais lindos: entre eles o tié, (tanagra brasília, Linn), de cor vermelha brilhante; o cuco bruno avermelhado de longa cauda (Cuculos caianus Linn) e outras formosas espécies. Matei em pouco tempo, grande número."

Para o europeu tudo que via pela primeira vez nestas terras, representava algo exótico e desconhecido. Sua forma de descrever o desconhecido impregna grande parte dos escritos em seus relatos, sempre exaltando o europeu e menosprezando o outro, mas nota-se também a forma de descrever a paisagem relatando a vegetação como algo marcante. Como por exemplo, o que diz Jean Baptiste Debret em sua obra "Viagem pitoresca e histórica ao Brasil", Circulo do Livro: São Paulo, v. 1, (s.d.), p. 14.

Na Biografia de Luiz Palmier, "São Gonçalo Cinqüentenário": História, Estatística. 1940. p. 69. "Nesta paisagem descrita pelas viajantes como paradisíacas habitavam diversas tribos da grande nação Tupinambá".
Sobre os Tupinambás, conta-se que habitavam todo o litoral brasileiro de norte a sul e que recebiam nomes diferentes de acordo com o localização ou região que se encontravam neste imenso litoral. Também, recebiam nomes batizados por grupos inimigos. Onde hoje conhecemos por São Gonçalo habitava uma nação conhecida como Tamoios".

Em outros relatos de outros historiadores contam que: "Nas terras que mais tarde receberam o nome de São Gonçalo, habitavam os indígenas conhecidos como tamoios. Formavam uma grande nação, cujos domínios estendiam-se desde Cabo Frio, na vizinhança com a nação goitacá, até Angra dos Reis, onde começavam as terras dos guaianás, em direção ao Sul."

Molina e Silva, op., 1996, p. 29 e 33 descrevem que com a invasão do Europeu, vários grupos indígenas se mostravam seus inimigos ou partidários. Nos confrontos entre os portugueses e franceses nas margens da baía de Guanabara, os Tamoios (Tupinambás) se uniram aos franceses e os Tupiminós se uniram aos portugueses. Os Tamoios se dividiam em aldeias e recebiam este nome por nações inimigas como os Margaiás, os Maracás ou ainda os Temiminós, os Guaianás do Sul e os Pero-angaiapós – portugueses vestidos com couro, os bandeirantes –, pois eles próprios se autodenominavam Tupinambás. Estes índios, os Tamoios, levavam uma vida comunitária na qual consideravam que os seus integrantes faziam parte de uma família. A aldeia era considerada uma enorme chorça, tipo de habitação coletiva onde conviviam todos os casais, seus filhos e demais aparentados. Não há notícia de existirem entre os índios pequenas tabas. Entre os tupinambás era pouco definida a noção de propriedade individual, de casais ou de família. Os tupinambás não possuíam construções duradouras de pedras ou qualquer material resistente. As aldeias assumiam denominações dos próprios locais onde se assentavam." Eram guerreiros e antropófagos. Ainda sobre os Tamoios, diz-se que: tinham como principais armas o tacape e o oropá. Usavam um escudo de couro de pele do tapiriçu. Aprenderam com os franceses a manejar o arcabus, arma de fogo. Guerreiros, tinham o hábito de esfregar sangue dos inimigos pelos corpos dos seus filhos para torná-los mais valentes. Acreditavam que um espírito chamado Anhangá visitava as sepulturas para comer defuntos e, com o fim de evitar isso, ali deixavam alguidares cheios de frutas, aves, peixes e outros alimentos para aplacar a fome de respeitada entidade. Fabricavam farinha de mandioca, comiam aipim assado e avati. Usavam um chocalho chamado maracá. Fumavam certa espécie de charuto feito com folhas de petim. Serviam-se das folhas do cajuá para fazer sopa. Comiam a abóbora chamada moranga que era redonda e doce."

Do trecho descrito acima, a reflexão feita é que uma cultura se perde no passar do tempo. Se a cultura de um determinado grupo social não for registrada – no caso das culturais orais, sem escrita, ou quando o grupo é esmagado pela imposição cultural de outro grupo social. O relato retrata parte da crença, de hábitos, de táticas de guerrilhas e da alimentação de uma nação indígena que deixou de existir e com o seu desaparecimento se perdeu boa parte de sua história, por ter sido passada somente na oralidade de gerações a gerações. A partir de alguns trabalhos historiográficos é que um pouco dessa história é possível ser resgatada e conhecida.

O clima hostil entre o conquistador português e os índios tamoios, ou melhor, tupinambás, resultou a expulsão e matança dos originais habitantes das cercanias da Guanabara. Com isso, o dominador desprezou todo o patrimônio cultural dos nossos selvagens, do que muito pouco se documentou. Excetuam-se os topônimos de língua tupi com os quais identificavam-se rios, acidentes, arrabaldes e algumas aldeias."

Em 1501 ocorreu a primeira grande expedição ao Brasil liderada pelo Comandante Gaspar de Lemos e tendo como principal navegador Américo Vespúcio. Chegaram à baía de Guanabara em janeiro de 1501. A partir daí toda a conhecida passagem histórica de nomeação da cidade do Rio de Janeiro: Uns dizem que os portugueses teriam confundido a baía com o delta de um rio e por terem chegado ao mês de janeiro chamariam o local de Rio de Janeiro, outros afirmam que eles a teriam reconhecido como baía, porém a chamaram de ria que é a forma que os portugueses denominam uma baía, na transcrição deste fato acabaram entendendo rio e não ria. Enfim, por aí vai a controvérsia histórica. Já o nome Guanabara é de origem tupi e significa (seio do Mar). Durante o período das expedições foi intensa a procura e exploração da ibirapitanga, como era chamada pelos índios a árvore de madeira dura e avermelhada, ou pau brasil para os portugueses. Escreveram que algum tipo de exploração desta madeira ocorria na região de guajindibo, depois Vanxindiba e atual Guaxindiba.

Embora a estrutura física da APA não seja suficiente para efetivar a conservação a que se propõe, foi iniciada uma série de investimentos, na tentativa de contribuir para a preservação deste que é um dos maiores remanescentes de manguezal do estado do Rio de Janeiro e berço da colonização Gonçalense.

 

veja o vídeo

 

 

Fontes: José Jobson Arruda Andrade. História Integrada: da Pré-História ao fim do Império Romano. Ed. São Paulo: Ática, v.1., 1996.
Jean Baptiste Debret. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. São Paulo: Círculo do Livro, v.1. (s.d.)
Geny Ferreira Guimarães APA Guapimirim
Vídeo de Paula Saldanha do Programa Expedições de 2012.

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