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Ficha de candidato a Sócio da SAL

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Jorge Nunes

 

O título parece uma redundância porque, salvo raras exceções, os mestres sempre foram amados pelos alunos, ao menos nos tempos de antigamente. E ele seria aplicável, por isso mesmo, a um grande número de mestras que pontificaram no ensino público e particular gonçalense, entre elas Maria Josepha da Conceição Guimarães Backer (mãe do futuro presidente – governador – Alfredo Backer, sepultada no cemitério de Santa Isabel), Corina Xerém, Leda Vargas Gianerini, Aurelina Dias Cavalcanti, Aída de Souza Faria, Aída Vieira de Souza, Maria Antunes, Estefânia de Carvalho e Albertina Campos.

O propósito, entretanto, é o de realçar uma outra que se destacou por 22 anos na preparação das novas gerações femininas em Pachecos, no século XIX: foi a professora Maria (Amália) de Sá (Bittencourt e Câmara) Earp, casada na Bahia por volta de 1854 com o inglês Silvano Earp, e com quem teve os filhos José, Sylvanus, Nancy, Artur, Roberto e Anna. Porém, dona Maria enviuvou em 11 de janeiro de 1867 e, sem meios de prover a numerosa família, decidiu mudar-se para a Corte. Mestra reconhecida em seu estado natal, aqui prestou concurso (e foi aprovada plenamente, como se dizia na época para o que chamaríamos hoje de louvor, com mais duas candidatas) perante o diretor da instrução pública da província, Tomás Gomes dos Santos, em 28 de fevereiro de 1868, para exercer o magistério na Província do Rio de Janeiro, numa época em que, lembre-se, uma professora (ou professor) percebia mensalmente o equivalente à metade dos vencimentos do Juiz de Direito, porque o Império prestigiava os mestres, e a República, embora tendo vindo também em nome da melhoria da educação, realizou exatamente o contrário, como se pode ver ainda hoje.

Nomeada em 18 de outubro de 1868, foi designada para a escola pública de Raiz da Serra, no então município da Estrela. Estabilizada profissionalmente, retornou à Bahia, pegou quatro filhos (dos seis, Sylvanus falecera na infância e José já estava no Rio, estudando) e uma escrava, embarcou no vapor inglês Humboldt e desembarcou na corte em nove de junho de 1869.  Em 24 de dezembro do mesmo ano foi removida para a escola de Ipiabas, em Valença, mas lá pouco ficou, pois em três de fevereiro seguinte era dali transferida para a recém-criada segunda escola feminina da freguesia de Cordeiros, São Gonçalo, onde permaneceria por mais de duas décadas. Naquele tempo, as unidades escolares eram residências com uma ampla sala, destinada às aulas, daí surgindo a expressão sala de aula. Dona Maria instalou-se ali com a filharada, abriu as matrículas e inscreveu os próprios filhos, à exceção daqueles que já tinham a instrução básica e podiam alçar voos mais altos, como era o caso de José, Roberto e Artur, os dois primeiros matriculados no Colégio Militar do Rio de Janeiro (tornando-se ambos oficiais do Exército) e o terceiro no externato do Colégio Dom Pedro II, de onde saiu para formar-se em Medicina, em 1882, em solenidade a que estava presente o imperador, estabelecer-se em Leopoldina (MG), ali fazer campanha pela República, ser inspetor escolar e presidir o Conselho de Intendência de Piraí (RJ), estabelecer-se em Sapucaia (RJ) e eleger-se deputado estadual, fixar-se em Petrópolis e tornar-se patriarca de uma das famílias mais tradicionais da cidade serrana, onde deu enorme contribuição, sobretudo, à educação.

Porém, nem tudo foram flores para dona Maria de Sá Earp. Era 1872 e ela ainda estava em seus quatro primeiros anos de magistério em Cordeiros quando um anônimo a acusou, na Corte, de discriminar alunas negras e pobres. A mestra sequer precisou defender-se: imediatamente o professor e major da Guarda Nacional, Francisco Rodrigues de Miranda, então morador em Ipiíba e que fundaria em 1878 o jornal O Fluminense, de Niterói, ainda hoje em circulação, saiu em sua defesa, tão candente que ninguém mais voltou a falar do assunto.

Logo em seguida, nos exames finais da escola feminina de Cordeiros, naquele mesmo ano de 1872, o próprio inspetor estadual de ensino em Cordeiros, vigário Galdino Xavier da Silva Malafaia, pessoa das mais respeitadas no local, foi prestigiar a prova aplicada pelo médico Paula e Silva e pelo professor Antônio Joaquim da Silva Fontes às alunas de dona Maria de Sá Earp. Comprovaram a qualidade do ensino por ela prestado na localidade.

No ano seguinte, graças a ela e a Francisco Rodrigues de Miranda, o médico Francisco Rebello de Figueiredo vacinou todos os alunos da localidade contra a febre amarela; em 1885, participando da campanha de emancipação dos escravos, libertou a única escrava que possuía; e, em 1887, coube a ela ocupar o primeiro prédio público construído para escola em nossa Cidade, graças a um legado deixado em seu testamento pelo Barão de São Gonçalo, ao falecer em 1873. Durante estas duas décadas, não havia um exame final a que não estivesse presente alguma autoridade de destaque. E dona Maria de Sá Earp era considerada tão boa quanto rígida mestra que, em 1885, aprovou suas netas Alice e Elvira de Sá Peixoto, a primeira com distinção e a segunda simplesmente. Dois anos antes, fora homenageada por Sinfrônio Cardoso, que fez uma longa poesia, intitulada “A Heroína do Amor”, exaltando-lhe os méritos.

As demonstrações de carinho e respeito da comunidade de Cordeiros, no entanto, não eram suficientes para que superasse as novas condições familiares: à exceção da filha Anna, que se casara com o fazendeiro e comerciante José Peixoto Guimarães (depois, vereador e primeiro presidente da Câmara Municipal) e lhe dera os netos José, Fernando, Carlos, Elvira e Anna de Sá Peixoto, todos os demais filhos estavam na Corte ou em Petrópolis. Por isso, pediu à Província a sua remoção de Cordeiros para Porto Velho, pois ficaria mais perto da cidade do Rio de Janeiro, onde estava seu filho José, prosseguindo na carreira militar. Não só não foi atendida, como seus superiores ainda tentaram, no ano seguinte (1884), removê-la para Nova Friburgo, afastando-a ainda mais dos seus. Ela reagiu prontamente e continuou em Cordeiros. Mas, a idade estava pesando e ela resolveu solicitar exoneração do cargo em 1890, sendo atendida pelo governador Francisco Portela.

Imediatamente, dona Maria de Sá Earp mudou-se para a residência do filho José, tenente-coronel do Exército, na já então Capital da República, e ali faleceu em 27 de julho de 1905. Em sua memória, foram celebradas missas de sétimo dia nas matrizes de Engenho Velho, no Rio de Janeiro, e de Petrópolis, esta última encomendada por seu filho e prefeito petropolitano Artur de Sá Earp. A celebração religiosa na cidade serrana atraiu centenas de pessoas e teve a participação de dona Estephânia de Sá Carvalho, solista de renome estadual e que tornou ainda mais emotiva a homenagem àquela que fora, especialmente, a mestra de muitas meninas gonçalenses no século XIX.

 

 

Fontes:

Arthur Leonardo de Sá Earp, trineto da biografada.

  Emmanuel de Macedo Soares, jornalista e pesquisador em história.

Relatório do diretor da instrução, conselheiro Tomás Gomes dos Santos, de 14-09-1868, p. 8, anexo à mensagem do presidente da província Benvenuto Augusto de Magalhães Taques, enviado à Assembléia Legislativa Provincial em 15-10-1868.

Relatório do diretor da instrução, conselheiro Tomás Gomes dos Santos, anexo ao relatório do presidente da Província do Rio de Janeiro, Josino do Nascimento Silva, enviado à Assembléia Legislativa Provincial em 08-09-1871.

Arquivo da Câmara Municipal de Piraí.

Arquivo da Câmara Municipal de Petrópolis.

Diário do Rio de Janeiro, 10-06-1869, p. 3; 29-12-1869, p. 1; e 05-02-1870, p. 1.

 A Pátria, 25-09, 11-10 e 19-12-1872, p. 2; e 14-11-1873, p. 2.

  Gazeta de Notícias, 29-06, p. 1, e 30-08-1888, p. 1.

 Gazeta da Tarde, 23-12-1882, p. 2.

 O Globo, 23-12-1882, p. 3.

 Diário do Brazil, 04-06-1884, p. 1.

 Gazeta Nacional, 30-05-1888, p. 1.

 O Fluminense, 11-12-1881, p. 2; 24-12-1882, p. 2; 05-01, 12-01, 25-07, 14-12 e 26-12-1883, p 2; 30-01 e 19-12-1884, p. 1 e 2; 12-01, 11-09 e 18-12-1885, p. 2 e 3; ; e 04-07-1890, p. 1.

Mercantil, 12-12-1885, p. 3.

Jornal do Commercio 15-03-1890, p. 1; e, 02-08, p. 4 e 9, e 04-08-1905, p. 3.

Jornal do Brasil, 04-08-1905, p. 2.

Rujany Martins

Não pretendo aqui, fazer história. Historiadores, São Gonçalo os tem e teve reconhecidos nos trabalhos atuais do jornalista e pesquisador Jorge Nunes (crônicas Históricas Gonçalenses I e II) e nos relatos dos professores Salvador da Matta e Silva e Evadir Molina. Fontes habituais de pesquisas sobre os eventos históricos do município são também os trabalhos de Emanuel de Bragança de Macedo Soares e os antigos escritos do Monsenhor Pizarro. Neles busco conhecer os fatos e feitos dos homens e mulheres que produziram a história da cidade onde nasci e sempre vivi. E nunca me atrevi a tentar seguir-lhes os passos, até porque, pesquisar nunca foi meu forte.
Mas vendo e ouvindo, e principalmente, vivendo os últimos 70 anos do cotidiano desta cidade, pude ser testemunha – e às vezes protagonista de episódios que marcaram a vida de São Gonçalo.
O que vou relatar é um desses episódios.

 Jorge Nunes

 

A mão de obra escrava, vinda da África, foi fundamental para o progresso de São Gonçalo. É verdade que, primeiro, os europeus escravizaram os índios, mas como tal foi proibido pela Igreja Católica e, em consequência, pelo governo da metrópole, sua substituição pelos africanos enriqueceu muita gente, seja no tráfico em si, seja nos ganhos de seu trabalho gratuito.

Para que se tenha uma idéia de sua importância, basta citar que, no recenseamento realizado pela Província do Rio de Janeiro, em 1840, a freguesia de São Gonçalo possuía uma população de 15.302 habitantes, dos quais 6 mil eram escravos, ou seja, cerca de 40%. Isto sem falar no relatório do mestre de campo Jorge de Lemos Parady (ou Paradis), de 1779, do qual consta que, naquele ano, existiam 171 fogos (casas) e 942 escravos em São Gonçalo, isto é, uma população escrava quatro ou cinco vezes maior que a livre.

Uma das marcas principais de nossa cidade foi a sua serventia para abrigar escravos fugidos que, como estratégia, nunca formavam grandes quilombos, mas pequenas unidades espalhadas pelo território, de maneira a dificultar a repressão. Tanto assim era que, em 29 de maio de 1821, o procurador das armas da Corte, Antônio Luiz Pereira da Cunha, expediu ofício ao coronel Luiz da França Machado da Fonseca, comandante do policiamento nas freguesias de São João de Icaraí (hoje, Niterói) e de São Gonçalo, determinando-lhe fazer escolta de capitães do mato para prender escravos que se instalaram em quilombos gonçalenses. A ordem foi cumprida, porém sem maiores resultados, devido à dispersão dos núcleos quilombolas.

 

Encontrar a origem das palavras que designam determinado logradouro público, bairro ou acidente geográfico é um bom caminho para o conhecimento da História, diziam-me alguns professores com os quais sempre tive contato. São Gonçalo não foge a esta regra e, por isso, decidi investigar sobre uma palavra que, desde a meninice, muito me intrigava. Brandoas (hoje no singular, Brandoa) era ela, que me chamava a atenção ao passar de bonde e, depois, de ônibus, pela Via Porto Velho, na altura do bairro Vila Lage. Designa um rio, hoje transformado em infecto valão, que vem das bandas do Engenho Pequeno, atravessa Sete Pontes (em que toma o nome de Rio Paraguai), passa pelo Barro Vermelho e chega ao Paiva, onde deságua na Baía de Guanabara.

     Primeiramente, recorri aos dicionários em português e nada achei. Depois, fui aos que abrangiam o tupi-guarani e continuei na mesma. Por fim, tentei localizar alguma origem africana. Nada. Deixei para lá, até que tropecei com uma mensagem de presidente da província do Rio de Janeiro, Manuel Travassos, à Assembleia Legislativa Provincial referindo-se à Ponte do Brandão, nas Neves (como então já era chamado o atual distrito).

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